domingo, 8 de janeiro de 2017

Adormecido

   De bar em bar aquela figura já
   cansada percorria o caminho
   dos ignorantes sem destino.

   Talvez buscasse o caminho da
   felicidade, ou será que esta ele
   já tinha esquecido abaixo do
   travesseiro da sua cama?

   De bar em bar encontrava diferentes
   pessoas às quais se tornavam
   irrelevantes ao seu pensamento.

   E sua busca seguia entre o dia e
   a noite, pacato como se o mesmo
   já não tivesse mais a sua própria
   personalidade.

   De esquina a esquina conhecia as
   letras da vida oculta e cada vez que
   as lia, tornava -se uma delas.

   E se o pecado é saber não viver,
   este ser inofensivo, porém poderoso,
   era o maior dos pecadores do mundo.

   Se cogitava, a vida era assim? E a
   resposta se apresentara sempre
   amarga no fundo da tulipa!

   De bar em bar, buscava o seu
   verdadeiro eu, e nunca o encontrava.

   A sabedoria ditava as regras do
   jogo quebra-cabeças, e mais ainda
   ele se complicava.

   Dia a dia ele se renovava,
   como bateria no carregador do
   da eternidade.

   Porém uma noite a resposta surgiu,
   no meio de um copo com chá.

   Não foi a luz, e nem um anúncio na
   tv ligada a sua frente.

   Uma flor, uma simples flor desvendou
   o seu enigma.

   E só então  deu-se conta que crescer
   é uma eterna expansão a caminho
   de uma sabedoria, a mesma que nos
   ensinou um homem chamado Jesus,
   e que já havia esquecido.

   De bar em bar as luzes se apagam,
   porem aquela figura já não tão
   cansada, não se encontra mais  dentro
   deles, e em seu quarto ao levantar o
   travesseiro encontrou um raminho
   de arruda é nada mais.

   Então se recordou de sua avó e sua
   mãe,  e de onde havia vindo.

   A sua busca terminou ao lado da cama
   onde sempre havia estado adormecido.

                  Ricardo Pereira

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