De bar em bar aquela figura já
cansada percorria o caminho
dos ignorantes sem destino.
Talvez buscasse o caminho da
felicidade, ou será que esta ele
já tinha esquecido abaixo do
travesseiro da sua cama?
De bar em bar encontrava diferentes
pessoas às quais se tornavam
irrelevantes ao seu pensamento.
E sua busca seguia entre o dia e
a noite, pacato como se o mesmo
já não tivesse mais a sua própria
personalidade.
De esquina a esquina conhecia as
letras da vida oculta e cada vez que
as lia, tornava -se uma delas.
E se o pecado é saber não viver,
este ser inofensivo, porém poderoso,
era o maior dos pecadores do mundo.
Se cogitava, a vida era assim? E a
resposta se apresentara sempre
amarga no fundo da tulipa!
De bar em bar, buscava o seu
verdadeiro eu, e nunca o encontrava.
A sabedoria ditava as regras do
jogo quebra-cabeças, e mais ainda
ele se complicava.
Dia a dia ele se renovava,
como bateria no carregador do
da eternidade.
Porém uma noite a resposta surgiu,
no meio de um copo com chá.
Não foi a luz, e nem um anúncio na
tv ligada a sua frente.
Uma flor, uma simples flor desvendou
o seu enigma.
E só então deu-se conta que crescer
é uma eterna expansão a caminho
de uma sabedoria, a mesma que nos
ensinou um homem chamado Jesus,
e que já havia esquecido.
De bar em bar as luzes se apagam,
porem aquela figura já não tão
cansada, não se encontra mais dentro
deles, e em seu quarto ao levantar o
travesseiro encontrou um raminho
de arruda é nada mais.
Então se recordou de sua avó e sua
mãe, e de onde havia vindo.
A sua busca terminou ao lado da cama
onde sempre havia estado adormecido.
Ricardo Pereira
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