domingo, 8 de janeiro de 2017

Bairro sem Nome

   O bairro já estava envelhecido e
   suas casas desbotadas.

   Na janela do passado a recordação
   dos dias de glória.

   As carruagens já não passavam
   nas ruas de paralelepípedo, opaco
   pelo tempo e as lembranças.

   O bairro já estava envelhecido e o
   passado esquecido pelos seus
   moradores.

   Rodiada por oiteiros a vida tranquila
   seguia o seu curso debaixo das
   árvores do bairro sem nome.

   Ocluso do mundo, o bairro já
   envelhecido e sapiente do seu
   isolamento adormeceu.

   E como em Pompéia, os homens
   viraram estátuas!

   Cobertos de cinzas totalmente sem
   vida, a vida retornou.

   Imigrantes, em suas caravanas
   trouxeram seus mocambos.

   E o bairro sem nome reviveu os
   momentos de outrora, e seus
   oiteiros se enfeitaram então para
   a grande festa dominical!

              Ricardo Pereira

  

Nenhum comentário:

Postar um comentário