segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Às Escuras

    Há um tempo, em que todos nós
    buscamos uma companhia ideal.

    Há um tempo, em que todo o
    torpor de relações passadas se
    extinguem.

    E assim foi contigo, um encontro as
    escuras, uma indicação familiar.

    Eu e você ansiosos por antecipação,
    falando ao telefone como duas
    crianças, que não vêem a hora de
    sair para brincar.

    E a hora chegou, com uma beleza
    puritana, idêntica a paquera de
    colegial.

    Porém dois adultos ali estavam,
    Cecília e Ricardo, ambos vividos e
    ruborizados com a magia do momento
    ímpar que pelo destino foi
    proporcionado.

    Há muito tempo não sentia esse
    comichão, aquecendo o meu espírito
    e fazendo-me sonhar.

    A tua eloquência de mulher madura,
    a beleza de menina em tua essência,
    penetrou em meu coração,
    roubando-lhe as chaves do emocional.

    Porém um paradoxo nos surpreendeu,
    os teus medos e minha ânsia de ser
    feliz junto a ti, nos uniu e nos afastou.

    A primeira dificuldade já se instalara,
    e como na vida nada é perpétuo,
    perpetuou-se as inseguranças de um
    belo par.
   
    Às escuras ficamos, dúvidas todas as
    possíveis,  e a flor da pele a ânsia de
    entender, de nos entender perdurou
    no cosmos e no território do achismo.

    Mas em meu íntimo um brado não quer
    calar:

    Carpe diem, como se este fora o 
    último!

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