Eram os anjos, aqueles pequenos
seres que estavam sobrevoando
o coreto!
O nosso coreto, o da praça sem
número.
A bandinha dominical e os balões
cheios por helium,embelezavam ainda
mais aquele pequeno palco, onde
a mágica acontecia.
Eram os anjos dourados de alegria,
que davam vida àquela construção.
E o nosso coreto de bancos de
concreto viviam horas inesquecíveis,
como nós.
Faceira a noite nos cubria com um
ventinho gelado e o céu, era um céu
de brigadeiro.
Debaixo da ponte que nos levava para
o coreto, os pombos adormeciam,
e geralmente nós também.
E os anjos aproveitavam então para
brincar em nossos sonhos.
O som das cordas do violão nos
despertavam , porém os anjos não
saiam dos nossos sonhos, presentes
em olhares intermináveis.
A brisa suave acariciava os nossos
braços e de todos os presentes, e
então sabíamos que era a hora da
última balada.
A mais bela de todas as músicas
era então tocada, com sinos que
gingavam de um lado ao outro.
E os anjos, aqueles pequenos seres,
felizes já podiam bocejar o prazer do
dever cumprido e desde as suas
nuvens nos viam deixar o coretinho
de concreto.
E uma lacrima de sono desce desde
o rosto de um dos anjos, banhando
o nosso coreto.
E aquele coreto torna-se a mais bela
profecia.
A moradia de todos nós junto a força
do nosso Messias.
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