domingo, 8 de janeiro de 2017

O Coreto de Concreto

    Eram  os anjos, aqueles pequenos
    seres que estavam sobrevoando
    o coreto!
    O nosso coreto, o da praça sem
    número.
   
    A bandinha dominical e os balões
    cheios por helium,embelezavam ainda
    mais  aquele pequeno palco, onde
    a mágica acontecia.

    Eram  os anjos dourados de alegria,   
    que davam vida  àquela construção.

    E o nosso coreto de bancos de
    concreto  viviam horas inesquecíveis,
    como nós.

    Faceira a noite nos cubria com um
    ventinho gelado e o céu, era um céu
    de brigadeiro.

    Debaixo da ponte que nos levava para
    o coreto, os pombos adormeciam,
    e geralmente nós também.

    E os anjos aproveitavam então para
    brincar em nossos sonhos.

    O som das cordas do violão nos
     despertavam , porém os anjos não
     saiam dos nossos sonhos, presentes 
     em olhares intermináveis.

    A brisa suave acariciava os nossos
    braços e de todos os presentes, e
    então sabíamos que era a hora da
    última balada.

    A mais bela de todas as músicas
    era então tocada, com sinos que
    gingavam  de um lado ao outro.

    E os anjos, aqueles pequenos seres,
    felizes já podiam bocejar o prazer do
    dever cumprido  e desde as suas
    nuvens nos viam  deixar o coretinho
    de concreto.

    E uma lacrima  de sono desce desde
    o rosto de um dos anjos, banhando
    o nosso coreto.

    E aquele coreto torna-se a mais bela
    profecia.
    A moradia de todos nós junto a força
    do nosso Messias.

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